
A Carta Encíclica Magnifica Humanitas, publicada pelo Santo Padre Leão XIV em 15 de maio de 2026, é um documento dedicado à proteção da pessoa humana na era da Inteligência Artificial (IA). Surge como um marco no Magistério da Igreja, sendo considerada a “questão digital” do século XXI, tal como a Rerum Novarum foi para a “questão industrial” no século XIX. Em síntese, a encíclica não rejeita a inovação, mas busca assegurar que a humanidade permaneça capaz de orientar-se em suas ações mesmo com o avanço tecnológico do progresso sem perder de vista o bem comum, mantendo o ser humano como o centro da história no mundo atual.
A encíclica está organizada em uma introdução, cinco capítulos temáticos que passam pelo Evangelho sendo aplicado na sociedade atual com seus desafios, apresenta um olhar ao documento sobre a Doutrina Social da Igreja e o que pode ser extraído dele como princípios cristãos para o desenvolvimento tecnológico da sociedade, o que o Papa chama de “Desarmar a IA”, pois não podemos ser reféns de um sistema injusto e cruel. Espera-se da humanidade a busca pela verdade, em meio às mentiras espalhadas pela Inteligência Artificial (IA). É missão das famílias preservar as crianças e jovens dos desvios tecnológicos que rompem os laços familiares. Na conclusão da carta, o sumo pontífice aborda a esperança em Jesus Cristo, que sempre se renova na história. Logo na Introdução, o Papa Leão XIV utiliza as imagens bíblicas de Babel e Jerusalém para ilustrar o dilema da sociedade atual, do qual a humanidade se desenvolve e se vê em meio ao uso da tecnologia para o domínio e o poder ou para a construção de uma comunidade solidária e fraterna.
Entre os temas abordados ao longo da carta está a resposta da Igreja na pessoa do Papa Leão XIV, ao demonstrar, por meio do documento da Doutrina Social da Igreja que o Evangelho atualizado deve ser capaz de abordar a temática da Inteligência Artificial (IA) e seu uso correto para a continuação da evangelização no mundo. O desdobramento dá-se com os pilares da visão cristã sobre a sociedade, utilizando-os como critérios de discernimento para os desafios da era tecnológica, garantindo assim que o progresso digital sirva à construção de uma sociedade que visa o bem comum e a justiça social.
O Papa Leão XIV propõe uma ação (“Desarmar” a IA): que seria um chamado para libertar a tecnologia do plano de competição e domínio dos tempos atuais, para tornar-se uma ferramenta de desenvolvimento a serviço de todos. As relações são constituídas de sentimentos humanos, não podemos nos deixar ser reduzidos a algoritmos, não somos números, portanto, somos filhos e filhas de Deus e assim devemos ser tratados e respeitados em sua total dignidade.
A encíclica defende que o trabalho não deve ser visto apenas como uma fonte de rendimento, mas como uma expressão fundamental da preservação da dignidade humana. A Igreja tem a missão de orientar a sociedade, formando os legisladores, educadores e famílias com ações pastorais práticas que promovam a proteção de crianças e jovens, com a chamada “aliança educativa para a era digital”, protegendo a instituição família dos sistemas de tecnologia que destroem os lares.
Deste modo, a encíclica busca orientar a humanidade para que a tecnologia sirva como um instrumento de comunhão e paz, principalmente ao analisar a crise atual nas relações entre as nações em guerra, para que a Inteligência Artificial não seja utilizada para a criação de armas de destruição da vida. O sumo pontífice, guiado pelo Espírito, conclui propondo a edificação de uma “civilização do amor”, cujos pilares são o diálogo e a busca pela paz, e mesmo com o uso da Inteligência Artificial, precisamos assumir o evangelho no mistério da Encarnação de Jesus Cristo como o critério último de esperança para a humanidade.
Texto desenvolvido pelo Seminarista Eduardo de Amorim
Fonte: Papa Leão XIV. Magnifica Humanitas: carta encíclica sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial. Cidade do Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2026.
