Deus, no seu infinito amor e em sua misericórdia, nos dá o dom da vida. Somos chamados a viver essa graça tendo como horizonte a santidade. Buscar a santidade é colocar-se em um caminhar que nos faz crescer na consciência de que o sustento do nosso existir está em Deus e de que somente junto d’Ele encontramos a plena e verdadeira realização e alegria.
Muitos são aqueles que, no cultivo de uma profunda intimidade com o Senhor, descobriram um modo de viver original e criativo que lhes permitiu reconhecer sua identidade e pertença ao Reino na condição de filhas e filhos muito amados de Deus e, assim, construíram um modo de ser que os configurou à pessoa de Jesus Cristo, sendo uma presença de luz e esperança que também nos aponta o caminho para Deus.
No mês de julho, fazemos memória de Santo Inácio de Loyola. Olhando para a história de Inácio, encontramos um grande tesouro espiritual, fruto do seu processo de conversão, que deu origem aos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola.
Inácio percebeu o quanto é importante identificar os movimentos que brotam em nosso coração. Esses movimentos são chamados por Inácio de moções. Eles nos ajudam a reconhecer para onde estamos nos movendo.
A grandeza dos Exercícios Espirituais está em nos ajudar a encontrar o caminho do coração. Daí a importância de fazer o itinerário de seguimento do Senhor olhando para os nossos afetos, percebendo onde está ancorado o nosso coração.
Ao definir os Exercícios Espirituais, Santo Inácio diz: “Exercícios Espirituais para vencer a si mesmo e ordenar a própria vida, sem se determinar por nenhuma afeição desordenada” (EE 21).
Vencer a si mesmo é um convite a crescer em liberdade. Olhando para a própria vida, é possível ir percebendo que situações me aprisionam, seja no campo material, relacional ou emocional. Ir tomando essa consciência e fazendo esse percurso na companhia de Jesus.
É um caminho pelo qual, na interioridade, vamos descobrindo onde estão as raízes das nossas atitudes e ações, o que nos permite trilhar um caminho de profunda conversão, identificando quem é o Senhor da minha vida. Toda conversão consiste em abrir espaço em nosso coração para que Deus ocupe o lugar central do nosso existir, fazendo do nosso modo de ser um estar na sua presença e mover-se a partir dela.
Não é um processo de voluntarismo ou fortalecimento do ego. É reconhecer-se como um ser que carrega, na sua essência, uma incompletude que só encontra a vida plena junto ao seu Criador, por meio de Jesus, deixando que o Espírito Santo reze e aja em nós. É um caminho de abertura para a graça, no qual o nosso coração vai destronando falsos senhores que nos enredam para o mal e nos aprisionam, dando espaço para que o Senhor Deus possa habitar, no amor, o centro da nossa vida, fazendo frutificar o melhor de cada um de nós.
No contexto atual, muitos vivem um vazio ou uma profunda tristeza existencial. Isso é reflexo de uma vida desordenada, em que o muito fazer rouba o sentir e saborear as belezas da criação. Dizia Santo Inácio: “Não é o muito saber que sacia e satisfaz, mas o sentir e saborear internamente as coisas” (EE 2).
Neste mês em que fazemos memória de Santo Inácio de Loyola, faço a vocês um convite: reserve quinze minutos diários e faça um exercício de memória agradecida, colocando-se na presença de Deus, invocando o Espírito Santo e pedindo a graça de perceber por onde o Senhor passou na sua história cotidiana, derramando graças e bênçãos. Saboreie essa presença e, na gratidão, peça ao Senhor a graça de se tornar cada vez mais sensível a essa presença de vida.
Deixo também como sugestão de leitura o livro “A alegria, minha bússola”, de Nikolaas Sintobin, da Edições Loyola, e, assim, encerro com uma breve apresentação da obra:
“Para Inácio de Loyola (1491-1556), fundador da Companhia de Jesus (Ordem dos Jesuítas), Deus quer que o ser humano tenha uma vida plena de alegria. Deus é a fonte da maior alegria que ele jamais pôde provar, não apenas de tempos em tempos, mas continuamente.”
Boa leitura e um fraterno abraço!
Simone e Vagner dos Santos Teixeira Colonhnezi
