Um domingo inteiro para rezar, encontrar amigos, cantar, servir, partilhar e perguntar ao coração: para onde Deus me chama? O Festival Vocacional 2026 reuniu mais de 5 mil pessoas, entre participantes e voluntários, no domingo, 23 de agosto, no Complexo Ayrton Senna, em Ribeirão Pires.
Promovido pela Diocese de Santo André por meio do Serviço de Animação Vocacional (SAV), o Festival alcançou neste ano seu recorde de participação. Jovens chegaram de diferentes cidades do Grande ABC levando bandeiras, camisetas e a identidade de suas comunidades. Das 106 paróquias da Diocese, 70 estiveram representadas por grupos de jovens para a gincana.
O dia começou da maneira que dá sentido a toda vocação: ao redor do altar.
“Nossa vocação é a felicidade”
A Santa Missa foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Pedro Carlos Cipollini, e concelebrada pelos sacerdotes presentes. Logo na acolhida, Dom Pedro contemplou a grande assembleia e recordou que Jesus é o caminho, a verdade e a vida, Aquele que reúne seu povo.
A Palavra de Deus levou os jovens diretamente à proposta daquele domingo. No Evangelho, Jesus perguntou aos discípulos: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. A partir da resposta de Pedro — “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” —, Dom Pedro convidou cada participante a responder pessoalmente quem é Jesus em sua vida.
Foi então que apresentou uma das principais mensagens da celebração: “Qual é a nossa vocação? A nossa vocação é a felicidade. Deus nos criou para sermos felizes.”
Para o bispo, essa felicidade encontra caminho na santidade, que não está distante da vida cotidiana. Ela pode ser vivida na família, no sacerdócio, na vida religiosa, no diaconato, no trabalho e nas diferentes escolhas de cada pessoa.
“O milagre do santo é a vida dele. É uma vida na justiça, no amor, na fraternidade, na partilha”, afirmou.
Ao final da celebração, Dom Pedro pediu uma oração especial pelas vocações sacerdotais e apresentou padres diocesanos, religiosos, diáconos permanentes e seminaristas. Em diálogo descontraído com a juventude, chegou a perguntar quem desejava ser padre, arrancando manifestações dos grupos espalhados pelo espaço.
Antes da bênção, deixou aos jovens uma certeza para levarem consigo durante todo o Festival: “Vocês são maravilhosos, acreditem, Deus ama vocês e Ele quer ajudar cada um a ser feliz, porque é isso que Ele projetou.”
Um Festival preparado por muitas mãos
Antes da bênção final, o assessor do Serviço de Animação Vocacional, Pe. Thiago Batista da Silva, fez questão de lembrar que aquilo que os jovens encontraram pronto naquele domingo era resultado de meses de trabalho.
Agradeceu à Prefeitura de Ribeirão Pires e às secretarias envolvidas, às pastorais e movimentos diocesanos e ao Seminário Diocesano. Ao falar dos seminaristas, agradeceu especialmente o empenho de todos e mencionou o seminarista Rafael Lourenço Campachi Martins, integrante do Serviço de Animação Vocacional.
Foi também Pe. Thiago quem anunciou à juventude: “Esse Festival Vocacional 2026 tem recorde de participação, recorde de público, recorde de paróquias.”
Mas parte dessa história começou bem antes da abertura dos portões. Na semana que antecedeu o Festival, os seminaristas estiveram no Complexo Ayrton Senna ajudando na preparação dos espaços. Carregaram cadeiras, organizaram materiais, ajudaram na montagem das estruturas e assumiram diferentes tarefas para que tudo estivesse pronto para receber milhares de pessoas.
Ao lado deles, coordenadores, agentes e voluntários de diferentes pastorais e movimentos transformaram a preparação em verdadeira experiência de Pastoral de Conjunto. A Pastoral da Acolhida esteve diretamente no contato com quem chegava. A Liturgia cuidou da celebração e dos momentos oracionais. A Pascom assumiu o trabalho de comunicação e registro do dia. O Setor Vida e Família, e outras pastorais, movimentos e serviços diocesanos também colocaram seus agentes à disposição.
Nas barracas, outra parte dessa grande rede de voluntários trabalhou durante horas. Pessoas que poderiam simplesmente participar do Festival escolheram servir: prepararam e venderam alimentos, atenderam os jovens e colaboraram para a realização do próprio encontro.
Era, na prática, uma das mensagens vocacionais daquele domingo: cada pessoa tem algo para oferecer, e toda vocação amadurece quando se transforma em serviço.
Solidariedade que começou antes do domingo
A dimensão da partilha também apareceu de maneira concreta na Gincana Vocacional. Antes mesmo do Festival, os grupos participantes receberam provas que ultrapassavam qualquer ideia de competição: era preciso olhar para quem precisava de ajuda.
O resultado impressiona: 72 toneladas de alimentos arrecadadas e 445 doações de sangue.
Por trás desses números estavam jovens mobilizando suas paróquias, famílias e comunidades. Cada quilo de alimento e cada doação de sangue transformaram a gincana em testemunho de uma fé que não permanece apenas nas palavras.
Se pela manhã Dom Pedro havia recordado que a santidade se manifesta na justiça, no amor, na fraternidade e na partilha, os próprios jovens já haviam começado a viver isso antes mesmo de chegar a Ribeirão Pires.
Um dia para conhecer diferentes maneiras de dizer “sim”
Encerrada a Missa, o Festival ganhou novos ritmos. A Feira Vocacional aproximou os participantes das congregações, comunidades, pastorais, movimentos e serviços presentes na Diocese. Era possível conversar com quem já havia feito escolhas vocacionais, conhecer carismas e perceber que o chamado de Deus encontra respostas muito diferentes.
A programação seguiu com catequeses e momentos formativos, enquanto a Gincana Vocacional movimentava as equipes e suas torcidas. Houve ainda espaço para o Sacramento da Reconciliação e para a oração pessoal.
A música acompanhou o Festival durante todo o dia, com apresentações que embalaram a movimentação da Feira Vocacional e da Gincana. No horário do almoço, foi a vez das Mensageiras do Espírito Santo se apresentarem. Os jovens se aproximaram e transformaram aquele intervalo em um dos momentos mais animados da manhã, cantando e levantando as mãos em louvor.
A juventude se ajoelha diante de Jesus
Depois de tantas vozes, músicas, brincadeiras e encontros, chegou um dos momentos mais profundos daquele domingo. O Santíssimo Sacramento foi conduzido em meio à juventude, e o Festival viveu seu momento de Adoração Eucarística. Milhares de jovens que pouco antes cantavam e torciam se colocaram em oração diante de Jesus.
Durante a Adoração, a mensagem dirigida à juventude recordou que, antes de qualquer escolha vocacional, existe um encontro pessoal com Deus. É diante Dele que cada jovem pode reconhecer quem é, compreender seus dons e encontrar coragem para responder ao chamado recebido.
A imagem daquela multidão em oração talvez tenha traduzido, sem necessidade de muitas palavras, o coração do Festival: uma juventude que sabe celebrar, mas também sabe silenciar e se colocar diante de Deus.
Música, alegria e dois campeões
Depois da Adoração, a música voltou a tomar conta do Festival. No fim da tarde, a Comunidade Católica Colo de Deus assumiu a apresentação e contagiou a multidão com um repertório mais que esperado, que fez os jovens cantarem, dançarem e celebrarem juntos. A alegria contagiante do show marcou o encerramento de uma programação vivida intensamente desde as primeiras horas.
E ainda faltava conhecer o resultado da Gincana Vocacional. Neste ano, houve empate no primeiro lugar. A Juventude Aparecida, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Alves Dias, em São Bernardo do Campo, e os Jovens do Rosário, da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, dividiram o título de campeões do Festival Vocacional 2026.
Em segundo lugar ficaram os Filhos de Maria, da Paróquia São João Batista, em Santo André. A terceira colocação foi conquistada pela Geração Santíssima, da Paróquia Santíssima Virgem, em São Bernardo do Campo.
A comemoração encerrou uma gincana em que competir significou também arrecadar alimentos, doar sangue, criar vínculos e aprender a caminhar juntos.
Uma Igreja que caminha com seus jovens
O Festival Vocacional deste ano ganha ainda outro significado para a Diocese de Santo André. As juventudes estão entre as prioridades do 9º Plano Diocesano de Pastoral, que propõe ampliar o protagonismo juvenil e fortalecer a integração dos jovens com pastorais, movimentos e toda a vida da Igreja.
E talvez o próprio Festival tenha oferecido uma imagem concreta desse caminho. Havia jovens participando e jovens trabalhando. Seminaristas carregando cadeiras. Agentes acolhendo quem chegava. Famílias servindo nas barracas. Padres atendendo confissões. Equipes cuidando da liturgia, da comunicação e da organização. Grupos arrecadando alimento e levando pessoas para doar sangue. E milhares reunidos diante da Eucaristia.
Mais de 5 mil pessoas fizeram parte daquele domingo, mas o Festival não pode ser resumido apenas por seu recorde de público. O que ficou foi a experiência de uma Igreja reunida em torno de seus jovens, trabalhando em comunhão para ajudá-los a descobrir que vocação não começa somente com a pergunta “o que vou ser?”.
Começa quando cada pessoa se coloca diante de Deus e pergunta: “Senhor, como queres que eu ame e sirva?”
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