Jesus, no capítulo 13 do Evangelho de Mateus, fala ao povo por meio de parábolas. Ele usa imagens simples do dia a dia para ensinar verdades profundas sobre o Reino de Deus. Uma dessas imagens é a semente. A semente é pequena, muitas vezes quase invisível, mas carrega dentro de si uma grande força de vida. Quando cai em boa terra, cresce, cria raízes e produz frutos.
A partir dessa imagem, podemos nos perguntar: o que estamos plantando no coração das pessoas? E: que tipo de presença temos sido na vida das pessoas?
Todos nós plantamos algo. Plantamos com as palavras que dizemos, com os gestos que fazemos, com os exemplos que damos, com o silêncio que escolhemos, com o cuidado que oferecemos ou com a indiferença que demonstramos. Mesmo sem perceber, todos os dias deixamos marcas na vida de alguém. Uma palavra pode levantar uma pessoa, mas também pode derrubar. Um gesto simples pode devolver esperança, mas uma atitude fria pode aumentar a dor. Um exemplo bom pode inspirar, mas um mau testemunho pode afastar alguém do caminho do bem. Até o silêncio planta alguma coisa: às vezes planta paz, escuta e respeito; outras vezes planta distância, abandono e tristeza. Por isso, precisamos olhar para dentro de nós e perguntar com sinceridade: minha presença tem sido sinal do Reino de Deus? Quando as pessoas se aproximam de mim, elas encontram acolhida, paz, respeito e amor? Ou encontram julgamento, dureza, impaciência e desprezo?
Jesus nos ensina que o Reino de Deus começa pequeno, como uma semente. Muitas vezes, achamos que para fazer o bem precisamos de grandes ações. Mas o Reino também cresce nos pequenos gestos: numa palavra de incentivo, numa visita, numa mensagem enviada com carinho, numa escuta sem pressa, num pedido de perdão, numa atitude de paciência, numa ajuda oferecida sem esperar reconhecimento. O coração das pessoas é como uma terra. Algumas estão feridas, cansadas, endurecidas pela vida. Outras estão esperando apenas uma palavra boa para recomeçar. Há pessoas que carregam dores que ninguém vê. Há pessoas que sorriem por fora, mas estão machucadas por dentro. Por isso, precisamos ter cuidado com aquilo que lançamos no coração do outro. Às vezes, uma palavra dita sem pensar pode ficar gravada por muito tempo. Mas também uma palavra de amor pode acompanhar alguém por toda a vida. Quantas pessoas se lembram de alguém que as ajudou num momento difícil? Quantas guardam no coração uma frase, um abraço, um conselho, uma presença amiga? Isso mostra que nossas atitudes têm força. Elas podem plantar vida. Na parábola do semeador, Jesus mostra que a semente é lançada em diferentes tipos de terreno. Isso nos ensina que nem sempre veremos imediatamente os frutos do bem que fazemos. Às vezes, plantamos e parece que nada acontece. A pessoa não muda, não agradece, não responde. Mas a semente foi lançada. E Deus sabe o tempo certo de fazer crescer.
O importante é não desistir de semear o bem. Não podemos escolher viver espalhando dor, divisão, fofoca, críticas e desânimo. Quem segue Jesus é chamado a plantar amor, esperança, misericórdia, perdão e verdade. O cristão não deve ser alguém que pesa na vida dos outros, mas alguém que ajuda a carregar os pesos.
Também precisamos reconhecer que, em alguns momentos, podemos ter plantado coisas ruins. Talvez tenhamos machucado alguém com palavras duras. Talvez tenhamos sido ausentes quando deveríamos estar presentes. Talvez tenhamos julgado sem conhecer a dor do outro. Reconhecer isso não é motivo para desânimo, mas para conversão. Deus sempre nos dá a chance de recomeçar. Plantar o Reino de Deus no coração das pessoas é escolher ser presença de paz. É entrar na vida do outro com respeito. É corrigir sem humilhar. É falar a verdade com amor. É estar perto sem invadir. É ajudar sem se mostrar. É perdoar mesmo quando é difícil. É ser luz, mesmo em ambientes marcados por escuridão. A pergunta “que tipo de presença temos sido na vida das pessoas?” precisa nos acompanhar todos os dias. Dentro de casa, no trabalho, na comunidade, na Igreja, entre os amigos, nas redes sociais: que sementes estamos espalhando? O que fica no coração das pessoas depois que convivem conosco?
Que Deus nos ajude a sermos bons semeadores. Que nossas palavras curem, nossos gestos acolham, nossos exemplos inspirem e nosso silêncio respeite. Que por onde passarmos, possamos plantar o amor de Deus. E que, um dia, ao olhar para trás, possamos perceber que muitas sementes pequenas se transformaram em frutos de fé, esperança e caridade.
Porque no fim, todos plantamos alguma coisa. A grande questão é: estamos plantando amor ou dor? Vida ou tristeza? Reino de Deus ou egoísmo?
Que o Senhor nos ensine a plantar no coração das pessoas aquilo que Ele mesmo plantou em nós: amor, misericórdia e esperança.
Diácono Marco Ernandez

