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CATEQUESE SOBRE A SANTA MISSA

Catequese sobre a Santa Missa - Paróquia Bom Jesus de Piraporinha

INTRODUÇÃO

Em 2019 um centro de pesquisas dos Estados Unidos divulgou os resultados de uma pesquisa com católicos a respeito da crença na Eucaristia. ¹ 

O resultado veio com a surpresa de que nos Estados Unidos, apenas um terço dos entrevistados concordava com o ensino oficial da Igreja de que Jesus se encontra real, verdadeira e substancialmente presente sob as espécies do pão e do vinho. 

Nada menos que dois terços acreditavam que as espécies eucarísticas são meramente símbolos da presença de Jesus. 

É importante ressaltar que essa foi uma pesquisa restrita aos católicos, fato que agrava e causa uma preocupação genuína. 

Bom, o motivo de começar falando sobre isso é simples, se o católico não crer no ensino oficial da própria Igreja e trata o maior mistério da nossa fé como meramente simbólico, eles não sabem o valor de uma Missa, muito menos entendem o sentido sacrificial da celebração da Eucaristia. 

Foi pensando nisso que nesse mês de setembro (2026) desenvolvemos, na paróquia Bom Jesus de Piraporinha, essa necessária catequese sobre o Santo Sacrifício de Cristo, onde como introdução falamos sobre as prefigurações do Sacrifício de Cristo no Antigo Testamento e como Deus preparou o seu povo para a vinda de seu Filho. 

Desde a oferta de Caim e Abel como o primeiro exemplo registrado de uma oferenda sacrificial (Gn 4,3-4), passando por Noé (Gn 8,20-21), Melquisedeque (Gn 14,18-20), Abraão (Gn 15,8-10; 22,13), Jacó (Gn 46,1) até a instituição da Páscoa judaica em Êxodo 12, explicamos como a Igreja enxerga cada uma dessas passagens e como elas já apontavam para o Sacrifício definitivo.

Falamos, no entanto, da necessidade da Santa Missa como uma oferta capaz de aplacar a cólera de Deus contra nós, pecadores; da grandeza divina que possui majestade infinita, desta forma, todo pecado contra Ele é também de magnitude infinita e, portanto, somente um Homem que fosse também Deus (Filho) poderia oferecer a Deus (Pai) uma satisfação de valor infinito, correspondente à ofensa cometida. 

E é isso que ocorre na Santa Missa, oferecemos uma vítima à altura, porque é o próprio Deus que nos redime como no Calvário, porém, de forma incruenta, no altar.

LITURGIA DA PALAVRA 

Na liturgia da palavra indicamos para os fiéis um princípio hermenêutico que permite penetrar várias camadas do mistério divino revelado no texto sagrado. 

São eles: Sentido literal, sentido alegórico, sentido moral e sentido anagógico. ² 

Explicamos a primeira grande parte da Missa, ou seja, a liturgia da palavra, à luz do evangelho de São Lucas, especificamente da passagem sobre os discípulos de Emaús em Lc 24,13-35 que sintetiza muito bem as duas grandes partes da Missa — Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística — sendo uma a Palavra que prepara e a outra a Eucaristia que revela.

LITURGIA EUCARISTICA 

A liturgia eucarística é o coração da Santa Missa, onde o sacrifício de Cristo se atualiza de maneira incruenta, perpetuando sua oferta na cruz para a salvação do mundo. 

Nesta parte central da celebração, os fiéis são convidados a oferecer suas vidas em união com Cristo, participando do mistério da Eucaristia, que é a fonte e o ápice da vida cristã. Este momento da Missa é ponto culminante da comunhão entre Deus e os Homens e cada detalhe litúrgico reflete a profundidade e a sacralidade desse mistério insondável. 

Por isso, com ênfase na Oração Eucarística, pois nela ocorre a transubstanciação do Pão e do Vinho no corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, percorremos os tópicos mais importantes, sobretudo, a Consagração. 

Voltando ao início do nosso artigo, quando falamos sobre a pesquisa realizada nos EUA, sim, a pesquisa não foi realizada no Brasil, porém, não seria considerado um absurdo se aqui fossem coletados números tão preocupantes quanto os que foram coletados lá, por isso há uma necessidade maior de falarmos sobre esse assunto com maiores detalhes.

A Igreja nos ensina que Jesus está presente de maneira real e verdadeira na Eucaristia, em corpo, sangue, alma e divindade. 

Essa afirmação baseia-se nas palavras do próprio Cristo quando Ele mesmo diz em Lucas 22, 19-20 “ISTO É O MEU CORPO QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS” E “ESSE CÁLICE É A NOVA E ETERNA ALIANÇA EM MEU SANGUE…”. 

Se formos em busca de provas bíblicas sobre a presença real, não nos limitaríamos apenas a essa passagem, sem jamais dizer que ela não seja suficiente, mas as Sagradas Escrituras estão repletas de referências sobre essa grande verdade da nossa fé. 

Das muitas passagens em que a Igreja utiliza para afirmar a presença real na Eucaristia, uma delas se destaca e, em muitos aspectos, serve como base para a doutrina católica sobre o assunto. 

Estamos falando do evangelho de São João, especificamente do capítulo 6 e o diálogo do “Pão Supersubstancial”. 

O diálogo em João 6 começa com Jesus explicando que Ele é o pão vivo que desceu do céu e que dá vida ao mundo (Jo 6,33) e se estende durante boa parte do capítulo, pois os judeus não compreendiam do que Jesus, de fato, estava falando. 

Até que Ele resolve falar em sentido literal e em João 6,51 Jesus diz: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu hei de dar, é a minha própria carne para a salvação do mundo. 

Estas palavras foram suficientes para causar um alvoroço entre os judeus e eles perguntavam entre si: “como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?” 

Uma observação importante sobre o escândalo que isso causou aos judeus é que no Antigo Testamento encontramos várias proibições explícitas contra o consumo de carne e de sangue, tudo isso tratando-se de consumo de carne sanguinolenta de animais, imagina alguém oferecer a sua própria carne? Daí a reação visceralmente negativa de seu público (cf.Gn 9,3-4; Lv 3,16-17; Dt 12,23).

Portanto, eis a ótima oportunidade para Jesus suavizar seu ensinamento, situá-lo num contexto explicativo mais amplo, metafórico ou simbólico das palavras que usou, Jesus fez isso em várias oportunidades, como por exemplo a explicação simbólica do sentido de “nascer de novo” no momento em que é confrontado com a questão literalista de Nicodemos (Jo 3,3-5), alguns também podem alegar que o discurso é puramente simbólico, porque, no mesmo evangelho Jesus diz: “Eu sou a porta” (Jo 10,7) contudo, diferentemente da passagem da instituição da eucaristia, Jesus nunca disse algo como: “Em verdade, em verdade vos digo que o meu corpo é uma verdadeira porta e minhas mãos são verdadeiras maçanetas”, do mesmo modo que diz: “ A minha carne é verdadeiramente comida, e o meu sangue é verdadeiramente bebida” (Jo 6,55), Ele insiste nas palavras do seu ensinamento e o resultado é o que acontece na continuação do evangelho, ou seja, muitos discípulos o abandonam, e Ele voltando-se para o grupo dos doze pergunta: “Quereis vós também retirar-vos?” (Jo 6, 68). Esta pergunta ecoa até os dias de hoje, meus irmãos.

Devemos nos perguntar qual é a nossa postura diante da Eucaristia? 

Creiamos, pois, no que o próprio Cristo disse e sustentou, sendo Ele a própria verdade jamais mentiria.

Que Deus nos ajude.

Texto desenvolvido por Douglas Melo

 

NOTAS: 

  1. https://share.google/IOWohOspRJrxSQvaF 
  1. Cf. Parágrafos 115 ao 117 do CIC

 

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