A Catedral Nossa Senhora do Carmo, em Santo André, acolheu, na noite de terça-feira, 25 de agosto, a Missa em Ação de Graças pelos três anos de implantação do Serviço de Escuta Cristã na Diocese de Santo André. Presidida por Dom Pedro Carlos Cipollini, a celebração reuniu agentes que atuam nos polos de escuta, coordenadores, psicólogos, sacerdotes referenciais e novos integrantes que iniciam a formação para o serviço.
A Missa foi concelebrada pelo assessor diocesano do Serviço de Escuta Cristã, Padre Francinaldo Ribeiro de Almeida, pelo vigário-geral e pároco da Catedral, Padre Jean Rafael Eugênio de Barros, e por outros sacerdotes. Logo no início, a comunidade foi convidada a agradecer pelo trabalho que, ao longo desses três anos, tem oferecido acolhimento, cuidado e esperança às pessoas que procuram a Igreja.
Em sua homilia, Dom Pedro recordou que a fé entra pelos ouvidos e ressaltou a importância de escutar, antes de tudo, a Palavra de Deus. Ao refletir sobre as leituras do dia, o bispo explicou que o verdadeiro discípulo missionário deve amar as pessoas e a missão que realiza.
“O verdadeiro discípulo de Jesus e missionário deve, acima de tudo, amar as pessoas e a missão que desenvolve a partir da comunidade de fé. Deve cumprir os ensinamentos do Evangelho com amor e não simplesmente por obrigação. Fazer por amor e não por obrigação”, afirmou.
A partir do Evangelho, Dom Pedro alertou para o risco de uma fé limitada ao cumprimento de práticas religiosas, mas distante da justiça, da misericórdia e da caridade.
“De nada adianta cumprir os preceitos religiosos se a pessoa não pratica o amor de Cristo, se não tem uma vida santa e se não é misericordiosa com os semelhantes”, explicou.
O bispo recordou ainda que, entre as obras de misericórdia espirituais, está a disposição de ouvir o próximo e confortar aqueles que atravessam momentos de sofrimento. Ao dirigir-se aos agentes, explicou que a escuta oferecida pela Igreja possui uma identidade própria.
“Não é uma escuta qualquer. Você está escutando o próximo que vem buscar alívio e força na comunidade, na igreja, na paróquia. Não em nome próprio, mas em nome de Jesus, da Igreja e da comunidade”, disse.
Dom Pedro também diferenciou ouvir de escutar. Enquanto muitos sons são ouvidos involuntariamente, escutar exige atenção, interesse, disponibilidade e dedicação.
“Ouvir é perceber tudo o que está à sua volta, querendo ou não. Escutar é uma atitude de dar atenção, estar interessado e dedicar-se ao outro”, ensinou.
Segundo o bispo, a escuta pode ajudar a reconstruir vínculos que foram enfraquecidos ou rompidos pelas dificuldades da vida.
“A escuta ajuda a restaurar as relações das pessoas. Às vezes, elas estão divididas e desanimadas. São relações da pessoa consigo mesma, com Deus e com os outros. Quando alguém nos escuta, essas relações começam a se refazer”, afirmou.
Dom Pedro acrescentou que ter alguém disposto a ouvir pode colaborar com processos de cura, reconciliação e reconstrução interior. “Tudo isso passa por ter alguém que te escute. Daí a importância dessa escuta fraterna”, completou.
Jesus, segundo o bispo, é o grande modelo para essa missão, porque não permanecia indiferente diante das dores e necessidades daqueles que encontrava.
“Jesus escutava e se comovia. Ele permitia que a voz do outro alcançasse o seu próprio coração e despertasse sua compaixão. Dessa escuta atenta nasce a possibilidade de dialogar e viver a fraternidade”, declarou.
Na Diocese de Santo André, formada por sete municípios unidos por uma extensa área urbana, os polos do Serviço de Escuta Cristã tornam-se sinais concretos da misericórdia de Deus.
“Ter esses polos de escuta é um sinal da presença da misericórdia de Jesus no meio de nós, por meio de sua Igreja”, ressaltou Dom Pedro.
Atualmente, o serviço conta com 15 polos e cerca de 90 agentes. O bispo recordou que a implantação não foi simples, mas encontrou pessoas generosas e dispostas a assumir a missão.
“Não foi nada fácil, mas Deus abençoou a disposição e o esforço de muitos de vocês que começaram. Hoje temos 15 polos de escuta e cerca de 90 agentes. Isso é muito bom e muito promissor”, avaliou.
Dom Pedro reconheceu que a missão é exigente, principalmente porque os agentes entram em contato com histórias difíceis e dolorosas. Ainda assim, chamou a atenção para a alegria presente entre aqueles que se colocam a serviço.
“Não podemos negar que é difícil e exigente, mas também não podemos deixar de reconhecer que o Espírito Santo vai à frente, capacitando aqueles que Ele escolheu para esta missão”, afirmou.
Ao concluir a homilia, o bispo deixou uma certeza aos agentes: “Continuem firmes na prática do bem. Se vocês escutam os irmãos por amor a Deus, serão escutados pelo próprio Deus”.
Serviço deve chegar a todas as paróquias
Ao final da celebração, Padre Francinaldo de Sousa Justino, assessor do Serviço, agradeceu a Dom Pedro, aos padres referenciais, à coordenação diocesana, aos coordenadores das foranias, aos psicólogos e a todos que ajudam na continuidade do trabalho.
“Para nós, é uma alegria exercer esse serviço tão necessário e importante nos tempos atuais. Precisamos parar para escutar o irmão”, afirmou.
O sacerdote recordou que o Serviço de Escuta Cristã nasceu como fruto do Sínodo Diocesano e ainda está em processo de crescimento. Também anunciou que 115 pessoas estão inscritas na nova formação para agentes.
“Ainda não temos o serviço em todas as paróquias, mas vamos trabalhar e caminhar juntos nesta Igreja sinodal, a Igreja da escuta, para que ele chegue a todas as paróquias da nossa Diocese. É um sonho missionário a ser realizado”, disse Padre Francinaldo.
Os novos participantes passarão por seis encontros de preparação e, até o final deste ano ou o início do próximo, poderão se unir aos agentes que já atuam nos polos.
A coordenadora diocesana Adriana agradeceu a disponibilidade daqueles que sustentam o serviço nas diferentes foranias e pediu que os novos participantes sejam recebidos com carinho.
“Ter vocês junto conosco nesse serviço é essencial. Vocês são a extensão do nosso trabalho nas foranias. Sem vocês, o serviço não existiria”, declarou.
Sobre os novos agentes, Adriana manifestou a esperança de que a formação contribua para ampliar a presença do Serviço de Escuta Cristã nas comunidades.
“Hoje temos 115 pessoas novas começando a formação. Que possamos acolhê-las com muito carinho e fazer esse serviço crescer, para que esteja presente em todas as paróquias da nossa Diocese”, concluiu.
Antes da bênção final, Dom Pedro parabenizou os agentes pela perseverança demonstrada ao longo dos três anos.e agradeceu áqueles que ajudam a fazer da Igreja uma casa onde cada pessoa possa encontrar acolhimento, presença e um coração disposto a escutar.
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