Era um dia esperado havia muito tempo por milhares de pessoas. Vindos das dez foranias da Diocese de Santo André, mais de 6 mil leigos e leigas participaram, na manhã de 9 de julho, da Celebração Eucarística com o conferimento e a renovação dos Ministérios Extraordinários. Presidida pelo bispo diocesano, Dom Pedro Carlos Cipollini, e concelebrada pelos padres da Diocese, a celebração reuniu homens e mulheres que receberam o ministério pela primeira vez e outros que renovaram o mandato para continuar servindo em suas comunidades.
O encontro, realizado em intervalos de alguns anos, marca uma etapa importante da caminhada pastoral da Diocese. Nele, novos ministros são enviados para a missão e aqueles que já exercem esse serviço reafirmam o compromisso assumido com a Igreja.
Foram conferidos e renovados os Ministérios Extraordinários da Comunhão, da Bênção, das Exéquias e do Culto e da Palavra. Cada um tem características próprias, mas todos servem ao mesmo fim: colocar os dons dos batizados a serviço do povo de Deus. São ministros que levam a Eucaristia aos enfermos, conduzem celebrações da Palavra quando necessário, acompanham famílias no momento das exéquias e levam a bênção da Igreja às comunidades, sempre em comunhão com os ministros ordenados.
Na homilia, Dom Pedro lembrou que nenhum ministério começa por iniciativa humana: antes de qualquer resposta, vem o chamado de Deus.
“Todos vocês, queridos irmãos e irmãs, que hoje se dispõem a assumir um ministério, foram atraídos pelo suave e misterioso chamado de Deus. Ele chama no íntimo do coração.”
Em seguida, apontou o que esse chamado pede de quem o acolhe.
“Qual nossa resposta a esta escolha? Primeiro a generosidade de dizer sim, um sim de todo coração. Depois a alegria de servir por amor a Jesus Cristo presente nos irmãos. E por último, mas não o menos importante, a perseverança dia após dia no ministério assumido.”
Ao longo da reflexão, o bispo explicou o significado dos ministérios conferidos naquele dia e lembrou que todos eles nascem do Batismo. Apoiado no Concílio Vaticano II, falou sobre o lugar do leigo na Igreja.
“O cristão leigo não é assistente nem ajudante do padre, mas é participante de uma grande missão que toca a todos, cada um com seu dom ou carisma próprio.”
Essa participação, explicou, também está presente no 9º Plano Diocesano de Pastoral, que incentiva uma Igreja cada vez mais acolhedora e participativa.
“Nossa Diocese, através do seu Nono Plano de Pastoral, deseja valorizar todos os batizados, em especial vocês que são chamados a dar um passo a mais.”
Antes de concluir a homilia, Dom Pedro pediu que cada ministro não perdesse de vista o verdadeiro sentido da missão.
“Não importa quão pequeno seja o ato que você pratica na vivência de seu ministério. Não importa que ninguém esteja vendo ou aplaudindo. A medida de todas as coisas não é a propaganda ou o sucesso, mas a medida de todas as coisas é o amor.”
Ao final da celebração, o padre Joel dos Santos Machado agradeceu ao bispo diocesano pela confiança em conduzir a assessoria eclesiástica da Comissão Diocesana para os Ministérios Extraordinários. Também manifestou gratidão aos padres, diáconos, seminaristas, coordenadores e às diversas pastorais que colaboraram na formação dos ministros e na preparação da celebração, além das equipes de liturgia, música, acolhida e organização.
Dirigindo-se aos ministros, padre Joel deixou um incentivo para que cada um viva o ministério com entusiasmo e fidelidade.
“Que possamos servir a Deus neste ministério com alegria, pois este é o nosso modo próprio de transmitir a presença de Cristo a tantas pessoas que irão se encontrar conosco através desta missão, através deste ministério. Sejam felizes e que possam ser presença de Cristo na vida de muitos.”
Nos momentos finais da celebração, com todos os ministros já revestidos com as opas, Dom Pedro voltou a tomar a palavra. Ao contemplar a assembleia, retomou a visão descrita no Livro do Apocalipse e comparou aquela imagem à liturgia do céu.
“Vendo essa assembleia tão bonita, não podemos deixar de pensar no Apocalipse: uma grande multidão vestida de branco.”
A mesma imagem apareceu nos testemunhos dos ministros. Nas redes sociais da Diocese, dezenas de participantes contaram o que sentiram naquele dia.
Alveci Mateus Pereira, da Paróquia Santa Luzia e Santo Expedito, escreveu que não encontrava palavras para descrever o momento. Ministro da Sagrada Comunhão e do Culto e da Palavra, afirmou que, a cada renovação, percebe “o quanto Deus quer usar dos nossos serviços para conquistar corações” e renovou o desejo de continuar servindo à Igreja.
Estelina Ribeiro definiu a celebração como “um verdadeiro céu antecipado”, enquanto Marcia Pereira escreveu que, quando todos vestiram as opas, teve a impressão de ver “uma multidão de anjos”.
Para Zilda Ghion A. Moraes, receber o ministério foi “o maior convite” que já recebeu na vida. José Cortello Filho agradeceu a Deus por ter sido chamado para servir à Igreja. Para Roberta Nascimento, receber pela primeira vez os ministérios da Sagrada Comunhão e das Exéquias foi “uma grande graça”.
Maria Creuza Morais renovou o compromisso assumido em 2011 e reafirmou o desejo de continuar levando a Sagrada Comunhão aos enfermos. Já Maria da Penha Santos Pestana contou que viveu aquele momento ao lado do esposo e da filha, que também receberam ou renovaram seus ministérios. Lucia Helena Maia resumiu o sentimento de muitos ao escrever que servir a Jesus, à Igreja e aos irmãos continua sendo “o seu melhor e mais abençoado compromisso”.
Antes da bênção final, Dom Pedro deixou um último pedido aos ministros:
“Perseverem, não desanimem.”
Foi com esse pedido que milhares de leigos e leigas deixaram o ginásio e voltaram às suas comunidades, onde o serviço continua no dia a dia.
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Leia a homilia completa de Dom Pedro.











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